em Juiz de Fora

vista de dentro de um táxi

Cidade engraçada esta Juiz de Fora. Nasci lá e por lá permaneci mais de vinte anos. Quando saí, era ainda quase provinciana. Maior cidade da Zona da Mata Mineira, e uma das maiores e mais conhecidas do estado, crescia devagar. Mais de dez anos depois de minha última impressão como moradora de lá, me deparo com esta imagem acima, de dentro de um táxi, que traduz de maneira bem próxima as impressões que agora tenho dela.

Ela cresceu. Incrivelmente. São mais de 500 mil habitantes. Cinemas, livrarias, bons restaurantes, vida noturna. Parece uma cidade grande, mas demonstra ainda se debater, como se não tivesse se libertado de todo da cidade mineira conservadora. Ainda guarda traços de cidade pequena, por incrível que pareça. E eu ainda não consigo me sentir à vontade nesta Juiz de Fora híbrida.

Nostalgia? Nem um pouco. Pra mim é uma nova cidade, que de conhecidas guarda apenas algumas pessoas e reminiscências de um passado que lá vivi – prédios que ainda estão de pé em especial. Nas poucas vezes em que por lá apareço, ponho-me a tentar desvendar esta nova cidade. Como se tivesse viajado para um destino já visitado algumas vezes, mas em fase de permanente descobrimento.

Desta vez me concentrei num ponto específico – cervejas e chopps. A cidade me surpreendeu com a produção artesanal, que para além do fato de ser algo contemporâneo e valorizado, remonta à colonização alemã de Juiz de Fora, no final do século XIX e início do século XX. Os alemães chegaram para a construção da Estrada União e Indústria e para a instalação da Colônia Agrícola, iniciando uma grande colonização – eram mais de mil alemães. Eles deram início ao processo de fabricação de cervejas artesanais na cidade. A sociedade juizforana se divertia largamente nos parques das cervejarias naquela época.

A presença dos imigrantes fez de Juiz de Fora, em meados do século XIX, uma cidade de fábricas de cerveja, produzida artesanalmente, utilizando muitas vezes milho e arroz. O lugar chegou a ter nove fábricas de cerveja funcionando simultaneamente: Cerejaria Barbante (Sebastian Kunz – 1861); Cervejaria Kremer (Augusto Kremer & Cia – 1867); Cervejaria José Weiss (José Weiss – 1878); Cervejaria Borboleta (Irmãos Scoralick – 1880); Cervejaria Poço Rico (Irmãos Freesz – 1881); Cervejaria Winter (Frederico Winter – 1886); Cervejaria Dois Leões (Carlos Stiebler – 1895); Cervejaria Estrela (Guilherme Griese) e Cervejaria Tapera (Pedro Schubert – 1899).

Nesta última ‘expedição’ à minha cidade natal, em dezembro de 2010, encontrei alguns chopps artesanais. Provei dois deles – Antuérpia, servido num dos restaurantes que mais gosto por lá, a Churrasqueira – e o Brasador – este numa casa de carnes argentinas homônima. Os dois com sabor marcante, o segundo um pouco mais encorpado. Este mês a Churrasqueira vai começar a vender a cerveja Antuérpia. Lá é inclusive possível fazer uma visita guiada para conhecer o processo de fabricação.

Mas de todas aquelas cervejarias de tradição alemã, apenas uma voltou à ativa, justamente a primeira delas a funcionar na cidade – a Barbante.  Primeira cervejaria artesanal de Minas Gerais, nasceu justamente ali, em 1861, pelas mãos do alemão Sebastian Kunz. A produção de Kunz começou para consumo próprio e acabou se expandindo para abastecer toda a colônia. Kunz faleceu em 1887 e com isso a cervejaria foi fechada. Agora o tataraneto de Kunz, Pedro Peters, retomou a produção da cerveja Barbante, construindo um restaurante no terreno onde funcionava a cervejaria.

Tentei ir até lá, passei pela igreja e pelas casinhas de tijolo tão típicas daquela fase da cidade, num pedaço de Juiz de Fora onde uma parte da  história ainda é tangível, capaz de nos transportar para um outro tempo, mas infelizmente o local estava fechado por conta do final do ano.

Bem, vou ter que voltar a Juiz de Fora, ao menos para provar mais esta…

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2 pensamentos sobre “em Juiz de Fora

  1. O Chopp Brasador não é artesanal, nem feito pelo próprio Brasador. É Chope Kaiser. Eles não colocam chope Kaiser, pois têm medo de espantar a clientela, afinal Kaiser é sinônimo de cerveja ruim. O chope nem chega a ser ruim, é bem neutro e refrescante em um dia de verão, mas imagem é imagem né. Pode acreditar em mim, pois trabalhei lá vários meses.
    Na próxima vez visite o Boi na Curva (Santa Terezinha), e o Brauhaus (São Mateus/Alto dos Passos) também, esses são os melhores em matéria de cerveja artesanal em Juiz de Fora.

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